‘Tempos Modernos’ completa 75 anos celebrando a genialidade de Charles Chaplin

15 mar

Vagabundo na engrenagem da fábrica

Quase 10 anos após o início do cinema falado, o cineasta britânico Charles Chaplin insistia em permanecer “mudo”. Em 1936, o maior defensor desse gênero de filme finalmente abriu a boca. Foi em “Tempos Modernos”, película com poucos diálogos – já que Chaplin ainda relutava contra o cinema falado –, que o mundo conheceu a voz do artista mais completo de todos os tempos.

O “Vagabundo”, personagem imortalizado pelo artista inglês em diversos filmes, está desempregado e consegue trabalho como cantor em um restaurante. Inseguro com seu ato, ele recebe ajuda de uma amiga, uma pobre menina de rua, interpretada por Paulette Goddard (atriz que foi casada com Chaplin por 8 anos; o casal não teve filhos), que lhe faz uma “cola” com a letra da música. Só que o papel se esvai de suas mangas e ele tem que improvisar. Num misto de línguas similares ao italiano e francês, além de sons não identificáveis, Charles Chaplin canta e baila numa cena impecável, repleta de criatividade e talento desse extraordinário artista.

CENA DO RELÓGIO

Vagabundo entra na engrenagem da fábrica

Em “Tempos Modernos”, Charles Chaplin atuou, escreveu, dirigiu e compôs a trilha sonora do filme, o que prova a sua genialidade e o porquê é considerado um artista completo. Na história de vanguarda criada por Chaplin, um trabalhador de fábrica sofre com as modernidades impostas pela industrialização.

Até mesmo uma máquina alimentadora é testada pelo “Vagabundo”. Trata-se de um aparelho que dá comida aos trabalhadores enquanto eles aparafusam peças automotoras. Tudo isso para que o trabalho não pare. O cenário da fábrica é realista e tem até mesmo telas enormes espalhadas, para que o chefe possa controlar cada passo dado por seus funcionários.

Charles Chaplin em cena cômica

O filme retrata o individualismo crescente dentro das empresas, como o homem pode se adaptar a um trabalho quase escravo e torná-lo tão mecânico a ponto de enlouquecer. O “Vagabundo” sai aparafusando tudo que se parece com uma porca, ele não pode perder nenhuma, se não o sistema para. É nesse desespero por fazer seu trabalho corretamente que ele entra na engrenagem da máquina, na cena mais famosa do filme.

Outra parte magistral é quando o “Vagabundo” e sua jovem amiga, desempregados e passando fome, entram no departamento de brinquedos de uma grande loja. Ali, o “Vagabundo” coloca um par de patins, venda seus olhos para impressionar a moça e passa a bailar no mezanino do lugar, sem avaliar o risco de se acidentar.

“Tempos Modernos”, que completou 75 anos em fevereiro, faz duras críticas ao sistema de industrialização, ataca o individualismo e prega a solidariedade. Chaplin parecia prever o futuro.

Charlie Chaplin e Paulette Goddard

Por Tatiana Cavalcanti

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